Convidados Julho 2026
🌅 Resiliência de Vida
Quando saí do prédio para vir trabalhar, segurei a porta para uma senhora que estava pegando o jornal. Ela tinha idade avançada. Ao passar por mim, parou e disse: “Meu velho se foi… não consigo ficar naquele apartamento.”
No impulso, respondi o que me veio ao coração: “Força. Deus sabe o que faz.”
Depois, ouvindo o choro daquela senhora, fiquei pensando: Pai, o que o Senhor está querendo mostrar com tal sacrifício? Talvez devamos deixar aqui a felicidade vivida.
Lembrei de tantas pessoas que conheço e que perderam seus parceiros após muitos anos de convivência. São histórias incríveis — e dolorosas — que corroem e matam aos poucos. Como se preparar para o que acredito ser o pior momento da vida de alguém? Como viver o inferno do “só”, o fogo da solidão?
Não há quem possa preencher tal vazio. É uma dor aguda que aproxima o coração da mente e faz o tempo perder o sentido — o segundo e a hora se tornam iguais, o dia e o ano já não fazem diferença alguma.
Como compreender isso? Como se preparar para isso? Pergunto a Deus e espero a resposta que um dia sei que virá. Ou talvez… a resposta seja esta: silêncio e sofrimento, para que haja a resiliência da vida.
✍️ Tião Vitorino
O Pão Nosso de Cada Dia
Ricardinho não resistiu ao cheiro do pão fresco e exclamou: — Pai, tô com fome!
Agenor, sem um tostão no bolso, caminhava desde cedo em busca de trabalho. Com os olhos marejados, pediu ao filho um pouco mais de paciência. — Mas pai, desde ontem não comemos nada… eu tô com muita fome!
Envergonhado e com o coração apertado, Agenor pediu ao filho que esperasse na calçada e entrou na padaria à frente. Aproximou-se do balcão e disse: — Meu senhor, estou com meu filho de apenas seis anos lá fora, com fome. Não tenho dinheiro, saí cedo procurando emprego e nada consegui. Em nome de Jesus, lhe peço um pão para alimentar esse menino. Em troca, posso varrer o chão, lavar pratos, copos… qualquer serviço que precisar.
Amaro, o dono da padaria, estranhou aquele homem de semblante sereno pedir comida em troca de trabalho. Pediu que chamasse o filho. Agenor trouxe Ricardinho pela mão, e Amaro logo mandou servir dois pratos de comida — arroz, feijão, bife e ovo.
Para Ricardinho, era um sonho. Para Agenor, uma dor: cada garfada lembrava a esposa e os outros dois filhos em casa, com apenas um punhado de fubá. As lágrimas escorriam, mas a alegria de ver o filho comer como se fosse um banquete divino misturava-se à tristeza de tantos anos de desemprego e humilhações.
Percebendo sua emoção, Amaro brincou: — Ô Maria! Essa comida deve estar ruim… olha só, meu amigo tá chorando de tristeza com esse bife, será sola de sapato?
Agenor sorriu e respondeu que nunca havia comido algo tão saboroso, agradecendo a Deus por aquele momento. Amaro pediu que almoçasse em paz e, depois, conversariam sobre trabalho.
Após a refeição, no pequeno escritório da padaria, Agenor contou sua história: mais de dois anos desempregado, sobrevivendo de biscates, e há meses sem nada. Comovido, Amaro o contratou para serviços gerais e ainda preparou uma cesta básica para alimentar sua família por quinze dias.
Naquele instante, Agenor sentiu renascer a esperança. No dia seguinte, às cinco da manhã, já estava na porta da padaria, ansioso para começar. Amaro, da mesma idade, não sabia explicar por que ajudava aquele homem, mas sabia que não se enganara: Agenor tornou-se o funcionário mais dedicado, honesto e zeloso.
Um ano depois, Amaro o incentivou a estudar numa escola de alfabetização de adultos. Agenor nunca esqueceu o primeiro dia de aula: a mão trêmula nas primeiras letras, a emoção da primeira carta.
Doze anos se passaram. Agora, o Dr. Agenor Baptista de Medeiros abria seu escritório de advocacia, elegante em seu primeiro terno. Ao meio-dia, descia para tomar café na padaria do amigo Amaro, que se orgulhava de ver o antigo funcionário transformado.
Mais dez anos, e o Dr. Agenor, já com uma clientela diversa, fundou uma instituição para oferecer refeições diárias a pessoas carentes. Mais de 200 pratos eram servidos todos os dias, administrados por seu filho, o nutricionista Ricardo Baptista.
A amizade entre Amaro e Agenor impressionava a todos. Aos 82 anos, faleceram no mesmo dia, quase na mesma hora, em paz, com o sorriso de dever cumprido.
Na fachada da instituição, Ricardinho mandou gravar:
‘Um dia eu tive fome, e você me alimentou. Um dia eu estava sem esperanças e você me deu um caminho. Um dia acordei sozinho, e você me deu Deus, e isso não tem preço. Que Deus habite em seu coração e alimente sua alma. E, que te sobre o pão da misericórdia para estender a quem precisar!!!’
Autor desconhecido
Colaboração: Paula Pires Couto
🌿 Mandamentos de uma Religião Desconhecida
- Ame e sirva a Mãe Terra
- Honre todas as religiões — cada uma é parte de um único Deus
- Ame todos os homens sem distinção e saiba como construir uma comunidade única
- Mantenha sua casa e seus pertences limpos — isso lhe trará saúde e felicidade
- Não dê moeda a mendigos de suas mãos; ajude-os a tornar-se autossuficientes e a conseguir condições dignas através do amor
- Ofereça carinho aos doentes e aos mais velhos
- Não alimente vaidade, ciúme ou inveja
- Não dependa de outros para servir suas próprias necessidades; torne-se o seu próprio serviçal antes de necessitar dos serviços alheios
- Observe as leis do Estado e seja um cidadão exemplar
- Adore a Deus, seja Ele quem for
✨ Colaboração: Doroti Vieira Campos
💭 O que é?
✨ Saudade É quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo — e não consegue.
✨ Lembrança É quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.
✨ Angústia É um nó muito apertado bem no meio do sossego.
✨ Preocupação É uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair do seu pensamento.
✨ Indecisão É quando você sabe muito bem o que quer, mas acha que devia querer outra coisa.
✨ Certeza É quando a ideia cansa de procurar e pára.
✨ Intuição É quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
✨ Pressentimento É quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.
✨ Vergonha É um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.
✨ Ansiedade É quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja.
✨ Interesse É um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
✨ Sentimento É a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
✨ Raiva É quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.
✨ Tristeza É uma mão gigante que aperta seu coração.
✨ Felicidade É um agora que não tem pressa nenhuma.
✨ Amizade É quando você não faz questão de você e se empresta para os outros.
✨ Culpa É quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.
✨ Lucidez É um acesso de loucura ao contrário.
✨ Razão É quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
✨ Vontade É um desejo que cisma que você é a casa dele.
✨ Paixão É quando, apesar da palavra “perigo”, o desejo chega e entra.
✨ Amor É quando… a paixão não tem outro compromisso marcado.
🌸 Colaboração: Denise Concide
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