Heidegger
Martin Heidegger (1889–1976) – 87 anos
Biografia
Martin Heidegger nasceu em 26 de setembro de 1889, em Messkirch, Alemanha. Filho de um sacristão, cresceu em um ambiente religioso e iniciou seus estudos em teologia, mas logo se voltou para a filosofia. Foi aluno e assistente de Edmund Husserl, fundador da fenomenologia, e rapidamente se destacou como um dos pensadores mais originais de sua geração.
Em 1927, publicou sua obra fundamental, Ser e Tempo, que recolocou a questão do Ser no centro da filosofia e influenciou profundamente correntes como o existencialismo, a hermenêutica e a fenomenologia. Sua carreira acadêmica se desenvolveu nas universidades de Marburgo e Freiburg.
A trajetória de Heidegger também foi marcada por controvérsias, sobretudo sua breve associação ao regime nazista nos anos 1930, fato que gerou debates intensos sobre a relação entre sua filosofia e sua posição política. Após a Segunda Guerra Mundial, foi afastado temporariamente da docência, mas continuou a produzir textos decisivos até sua morte em 26 de maio de 1976, em Freiburg. É considerado um dos filósofos mais influentes do século XX.
A segunda fase do pensamento heideggeriano
Os textos reunidos entre 1928 e 1966 refletem a chamada segunda fase do pensamento de Heidegger, marcada por uma virada em relação ao projeto inicial de Ser e Tempo. São aulas, conferências e ensaios que revelam sua busca por um caminho alternativo à tradição metafísica ocidental, que ele considerava responsável por ocultar a verdadeira questão do Ser.
Entre os escritos mais significativos, destacam-se:
- “O Que É Metafísica?” (1929) – introduz a problemática do nada como abertura para a compreensão do Ser, rompendo com a visão tradicional que reduz a filosofia ao estudo dos entes.
- “A Tese de Kant sobre o Ser” (1931) – releitura crítica de Kant, mostrando como a filosofia moderna ainda permanece presa a categorias metafísicas que não permitem pensar o Ser em sua diferença radical em relação ao ente.
A questão central que atravessa quase todos esses textos é a diferença ontológica: a distinção entre o Ser (Sein) e os entes (Seiendes). Para Heidegger, a filosofia ocidental privilegiou o estudo dos entes e suas propriedades, esquecendo-se da pergunta fundamental: o que significa Ser? Esse esquecimento do Ser é, para ele, o traço característico da história da metafísica.
Crítica à técnica moderna
Na segunda fase de seu pensamento, Heidegger desenvolve uma reflexão profunda sobre a essência da técnica moderna. Para ele, a técnica não deve ser entendida apenas como um conjunto de instrumentos ou ferramentas, mas como uma forma de revelar o mundo.
A técnica moderna, segundo Heidegger, instaura um modo de desvelamento que transforma tudo em recurso disponível (Bestand), reduzindo o Ser a mera utilidade. Esse processo culmina no que ele chama de Gestell (armação ou enquadramento), uma estrutura que condiciona a maneira como o homem se relaciona com o mundo, impondo uma visão instrumental e calculadora da realidade.
Heidegger alerta que esse domínio da técnica ameaça obscurecer a abertura originária do Ser, pois o mundo passa a ser visto apenas em termos de eficiência, produtividade e controle. Contudo, ele também sugere que na própria essência da técnica reside uma possibilidade de salvação: ao reconhecer o perigo, o homem pode reencontrar um modo mais autêntico de habitar o mundo, especialmente por meio da poesia e da escuta da linguagem.
Conclusão
Os textos deste período não apenas retomam temas tradicionais da filosofia, mas os reinterpretam à luz de uma crítica radical à história da metafísica e ao avanço da técnica moderna. Heidegger propõe que somente ao se libertar das categorias herdadas é possível abrir espaço para uma experiência mais autêntica do Ser – uma experiência que não se reduz ao conhecimento científico ou ao domínio técnico, mas que exige uma escuta atenta da linguagem e da abertura do mundo.
Frases marcantes de Heidegger
- “A questão do Ser não é uma questão qualquer, mas a questão fundamental da filosofia.”
- “O nada não é simplesmente a ausência do ente, mas aquilo que possibilita a revelação do Ser.” (O Que É Metafísica?)
- “A linguagem é a morada do Ser.”
- “O homem é o pastor do Ser.”
- “A essência da técnica não é nada de técnico.” (A Questão da Técnica)
- “O pensamento começa apenas quando descobrimos que a razão, exaltada durante séculos, é a mais obstinada adversária do pensamento.”
- “Habitar significa estar em paz, protegido na essência do Ser.” (Construir, Habitar, Pensar)
Share this content:



Publicar comentário