Faltam empregos ou profissionais?

 
 

Dentre os muitos paradoxos que vivemos, nos últimos anos, no Brasil, o do mundo do trabalho chama a atenção. O desemprego começou a subir com força no começo do ano passado, foi para 7,4%, chegou a 8,1%, depois a 10,2% no fim de 2015 e, no último trimestre, bateu em 11,2%. Estamos encerrando setembro com quase 12 milhões de brasileiros desempregados.

No entanto, apesar da crise, a Pesquisa de Qualificação Profissional no Brasil realizada pela FDC, com 201 empresas, revelou que 47,3% das organizações tiveram dificuldades de contratação. 53% delas acreditam que o Brasil tem oferta média de mão de obra qualificada e apenas 19% acreditam em uma alta oferta.

No quesito “motivos que levam à dificuldade na hora de contratar”, as respostas se concentraram em dois pontos: deficiência na formação profissional básica, com 48,3%, e falta de experiência na função, com 40,8%. E as áreas que mais padecem são o chão de fábrica, com 29,4%; a comercial, com 22,9%; e a logística, com 22,4%.

Ademais, um estudo da consultoria ManpowerGroup, publicado recentemente, listou os cargos com maior escassez no Brasil este ano: técnicos, motoristas, trabalhadores de ofício, representante de vendas, operadores de produção/máquina, engenheiros, pessoal de apoio de escritório, contadores e profissionais de finanças, operários, profissionais de T.I.

Nota-se que as oportunidades variam de muito especializadas e complexas às mais operacionais e rotineiras, o que revela exiguidade de profissionais, independentemente das exigências em termos de requisitos.

No caso específico de profissionais de T.I., a ComputerWorld identificou que 2016 será um ano desafiador no quesito contratação de talentos. Mesmo com previsão de um crescimento tímido nas oportunidades de trabalho na área, o cenário indica que as empresas recrutarão profissionais que consigam mesclar habilidades técnicas e estratégicas.

Segundo o portal, as profissões da área que estarão em alta nos próximos doze meses são: arquitetura de TI, help desk/suporte técnico, programadores/desenvolvedores de aplicação, administrador de banco de dados, gestores de projeto, segurança/compliance/governança, big data, cloud/saas, business intelligence/analytics, desenvolvedores web.

Embora esses dados tratem da realidade dos EUA, no Brasil não será diferente, dadas as dimensões globais da área, sobretudo no tocante a conhecimentos de arquitetura, programação e cloud. Afinal, faltam empregos ou faltam profissionais

Marcelo Treff  – Professor da PUC

Fonte: Estadão

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